Deus existe?
"Você
não pode provar que Deus existe e não pode
provar que Deus não existe." Esta é a
resposta que muitos sempre ouvem quando a
pergunta sobre a existência de Deus é
levantada.
No sentido banal pode ser verdade, mas é um tanto quanto enganador se levado no sentido mais profundo. Se nós estivermos usando a palavra "provar" no sentido estrito da certeza absoluta, é verdade que não podemos provar ou contestar a existência de Deus. Mas isso não quer dizer que não existem boas evidências ou argumentos a respeito de Deus que possam fazer com que a crença na existência em Deus não seja uma certeza. Nós sabemos muito pouco (se sabemos algo) com certeza matemática absoluta, então a certeza não é nem um padrão necessário ou razoável. Como praticamente todos os nossos outros conhecimentos, acredito que podemos mostrar que é altamente provável que Deus exista.
É também importante notarmos que somente pelo fato de haver uma explicação alternativa possível não derruba o argumento. O que alguém precisa é de uma explicação alternativa mais provável. Por exemplo, a maioria das pessoas acredita que a Terra é uma esfera; mas uma pequena minoria ainda insiste que a Terra é plana. Os que crêem que a terra é esférica devem abandonar sua teoria somente porque os que acreditam que a terra é plana vieram com uma alternativa? Certamente não. A única maneira de isso necessariamente acontecer é se os crentes na terra plana forem capazes de oferecer uma evidencia esmagadora de que a teoria deles é a mais provável. E isto é o extremo oposto e improvável.
Os bons argumentos da existência de Deus estão em abundância. Alvin Plantinga, habilmente um dos maiores filósofos vivos hoje, recentemente entregou um documento apontando aproximadamente duas dúzias de argumentos teístas. O espaço disponível aqui me limita a apresentar apenas dois:
Argumento 1: Deus é a melhor
explicação para a criação do universo
Premissa 1) Tudo que é criado (início)
precisa ter uma causa.
Premissa 2) O universo teve um começo
(início).
Conclusão: Portanto o universo tem uma
causa.
Qualquer coisa que começa a existir tem uma
causa. Muitos de nós não temos problemas em
aceitar este princípio. Nós aceitamos esta
verdade em praticamente todos os aspectos em
nossa vida diária. Nossa experiência sempre
confirma e nunca nega isto. Mas
surpreendentemente os filósofos tem sido
incapazes de provar a veracidade desta
teoria.
Contudo, sempre tem sido o primeiro princípio da filosofia e da ciência que "do nada, nada vem." Mesmo o filósofo ateísta David Hume, que mostrou que não podemos provar com certeza que o princípio da causa seja verdadeiro, ainda acreditava ser verdadeiro e pensava assim com firmeza.
Certamente é mais razoável aceitar esta premissa do que acreditar que as coisas simplesmente explodem na existência a partir do nada e por nada.
Confirmação Científica

Em segundo lugar, nós temos argumentos confirmando tanto cientificamente quanto logicamente que o universo teve um princípio, um começo. De acordo com a teoria padrão do Big Bang, o espaço, tempo, matéria e energia tudo veio à existência simultaneamente por volta de 15 bilhões de anos atrás.
Mais ainda, de acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica, com o tempo, o universo alcançará o estado de equilíbrio - um estado frio, escuro, morto, virtualmente sem movimento. Claramente, se o universo não tem começo, então deve ter havido um período infinito de tempo precedendo o tempo atual. Se este for o caso, então o universo já deveria estar em um estado de equilíbrio e nunca ter reiniciado. Este já seria um universo frio, escuro, morto e sem movimento. Não haveriam galáxias, sistemas solares, estrelas ou planetas, sem mencionar os organismos vivos. Já que há obviamente muito calor, luz, movimento e vida, o passado teve um princípio (ele acaba no princípio). O universo teve um início.
A terceira e mais forte peça que suporta o princípio do universo vem da impossibilidade de um passado infinito. Isto porque nada infinito pode existir no mundo real.
Nós podemos pensar que já que usamos o conceito de infinito na matemática não há problema em usá-lo aqui. Mas os matemáticos que trabalham com o conceito de infinito o fazem adotando algumas regras arbitrárias para evitar os absurdos e contradições que vêm com um número infinito para alguma coisa. E estas regras não se aplicam no mundo real. O conceito de infinito funciona apenas no domínio abstrato e somente com algumas regras especiais.
Para mostrarmos o absurdo e contraditório de um número infinito de coisas no mundo real, imagine uma biblioteca tendo um número infinito de livros pretos e um número infinito de livros verdes alternando as cores nas prateleiras e numerados seqüencialmente.
Faz algum sentido dizer que há tantos livros pretos quanto a soma de livros pretos e verdes juntos? Realmente não, mas é isso que você tem que afirmar se alegar que o infinito é possível no mundo real.
Suponha que removamos todos os livros verdes. Quantos livros sobram na biblioteca? Haveria ainda um infinito número de livros na biblioteca mesmo que removêssemos um número infinito de livros e encontrássemos uma forma de levarmos para casa! Suponha que removêssemos os livros numerados 4, 5, 6... em diante. Agora quantos livros ficaram? Três! Certamente algo está errado aqui! Uma vez removemos um número infinito de livros e ficou outro número infinito; da outra vez removemos um número infinito e ficamos com três - claramente uma contradição lógica. Já que nossa hipótese leva a uma contradição, a hipótese deve ser falsa - uma biblioteca com um número infinito de livros não pode existir.
Se não podemos evitar essas contradições no domínio da matemática criando regras tais como não permitir operações de subtrair ou dividir quando trabalhamos com o infinito, da mesma forma não podemos no mundo real impedir que as pessoas retirem livros das bibliotecas.
Portanto, já que um passado sem começo (princípio) seria um infinito número de coisas (eventos) e desde que um infinito número de coisas não pode existir no mundo real, logicamente o passado não é infinito. O universo teve um começo.
Mais ainda, um passado infinito é impossível porque um presente infinito não pode ser formado acrescentando um componente depois do outro. É como contar o infinito - você nunca chega ao fim. Da mesma forma que não podemos terminar de contar até o infinito, não podemos começar a contar regressivamente o infinito. Mas para ter um universo sem começo, teremos que ter um infinito número de eventos passados que chegariam ao presente. Mas é impossível porque por implicação, o presente nunca poderia existir.
Então a Teoria do Big Bang, a Segunda Lei da Termodinâmica e a impossibilidade de um passado infinito suportam o fato de que o universo tem um começo.
Já que tudo que começa a existir precisa ter uma causa, logicamente o universo tem uma causa, um motivo.
O que criou Deus?
A
objeção mais comum a este argumento é "O que
originou (criou) Deus?" Mas a pergunta "O que
criou X?" só faz sentido se houver um
indício de que "X" teve um início. Neste
caso, não há nada que indique que o
que causou o Big Bang teve um começo.
De fato, já que o tempo não existia antes do
Big Bang, o que causou o Big Bang deve ter
existido acima do tempo ou atemporal.
Portanto, ele não deve ter tido um começo, e
portanto nem origem. Nós podemos querer dizer
o mesmo sobre o universo, mas não podemos já
que, como já vimos, a evidência mostra que o
universo teve um começo.
Argumento 2: Deus é a melhor explicação para um universo que suporta a vida
Os astrofísicos têm descoberto que o Big Bang parece ter sido incrivelmente bem preparado. Os valores numéricos das forças naturais diferentes tais como gravidade, eletromagnetismo, forças subatômicas e as cargas dos elétrons "simplesmente aconteceram" de cair em um limite mínimo que permite a existência de vida. Uma mudança brusca ou simples em qualquer uma dessas forças poderia ter destruído a possibilidade de vida e eventualmente todo o universo.
Stephen Hawking, provavelmente o nome mais conhecido na física contemporânea escreveu:
"As leis da ciência, como as conhecemos hoje, contém muitos números fundamentais, como o tamanho da carga elétrica do elétron e a diferença entre os massas do próton e do elétron...O fato marcante é que os valores desses números parecem ter sido finamente ajustados para fazer com que fosse possível o desenvolvimento da vida."(Uma Breve História do Tempo, 1988, p. 125)
Sir Fred Hoyle, o astrofísico, muito conhecido por seus posicionamento ateísta nos diz que: "Uma interpretação de senso comum dos fatos sugere que um superintelecto brincou com a física, bem como com a química e a biologia e que não há forças ocultas que valham a pena mencionar na natureza. Os números que alguns abstraem dos fatos a mim me parecem tão esmagadores quanto colocar esta conclusão acima de quaisquer questionamentos."(Engenharia e Ciência, Nov 1981, citado no The World Treasury of Physics, ed. por Timothy Ferris, 1991, p. 392)
Considere estes exemplos:
1. Se a carga do próton e do elétron não
fossem exatamente iguais, os átomos de
hidrogênio repeliriam uns aos outros e não
haveriam galáxias.
2. Se a força relativa das Quatro Leis Fundamentais - gravidade, eletromagnetismo e as fortes e ao mesmo tempo fracas forças nucleares - fossem minimamente diferentes, nenhuma vida poderia ser possível. Se a força mais forte (a força que une prótons e nêutrons no núcleo) fosse dois por cento menor, ela destruiria todos os núcleos essenciais para a vida. Se fosse dois por cento maior ela impediria a formação dos prótons e portanto, da matéria.
3. Se a diferença de massas entre o Próton/Elétron de 1836 para 1 fosse um pouco diferente, não haveria a química.
4. Se o balanço entre a força gravitacional e a força eletromagnética nas estrelas fosse alterada em 1 entre 1040, ela produziria um universo composto inteiramente de estrelas gigantes azuis e anãs vermelhas que não suportam vida.
5. Dada a Segunda Lei da Termodinâmica, um big bang produziria um universo com ordem zero - caos (entropia máxima), mas nosso universo se formou ordeiramente (baixa entropia).
6. Se a taxa de expansão (crescimento) do universo fosse menor em 1 parte de bilhão, o universo já teria sofrido um colapso. Se a expansão fosse maior em 1 parte de bilhão, as galáxias, estrelas e planetas nunca teriam sido formadas.
7. Se a Força Centrífuga não balanceasse perfeitamente a Força Gravitacional, cada galáxia e sistema solar colidiria consigo mesma.
8. Se o nível de Ressonância (energia) do núcleo do Carbono 12 fosse um pouco mais baixo, o carbono não se formaria. Um nível de energia minimamente maior o destruiria instantaneamente. O Carbono, oxigênio, nitrogênio e os todos os outros elementos pesados exigidos pela vida dependem disso.
Se o Big Bang fosse apenas um fato acidental, seria virtualmente impossível que todos os valores dessas forças fossem exatamente corretas a ponto de permitir a existência do universo e a existência de vida. Dados o número potencial infinito de valores que essas forças pudessem ter, é muito mais provável que elas tivessem caído fora do limite mínimo exigido para permitir a vida. Como John Leslie, o filósofo cientista colocou, "Universos que impossíveis de existir vida são mais prováveis do que os universos que permitem vida." Esta é a evidência de uma inteligência desenhando o Big Bang que certificou que acontecesse de tal forma que o universo pudesse suportar a vida.
A Objeção do Observador
Há uma objeção principal a este argumento. É algo como o seguinte: "Não é surpresa observarmos que as condições iniciais do universo permitiram a vida porque eram obviamente as únicas condições que poderiam existir antes de nossa existência."
Este é o caso somente se alguém assume como premissa que nossa existência não é surpresa. Mas nosso argumente é que, dado o infinito número de valores potenciais que essas forças poderiam ter, é extremamente surpreendente que que todo este conjunto se formou, que são as condições exatas para a vida e a existência de observadores. Se alguém assumir que a segunda parte não é surpreendente, então, é claro, isso quer dizer a primeira parte também não é surpreendente. Mas esta claramente apaga a questão.
Sumário e Conclusão
Da mesma forma que dois fios unidos se tornam uma corda forte, então o efeito cumulativo desses dois argumentos nos oferecem um poderoso exemplo da existência de Deus.
Tomados juntos, esses dois argumentos nos mostram que o criador e autor do universo é um ser inteligente, imaterial, poderoso, imutável que existe em um estado atemporal, eterno muito além do princípio do universo. Este, sugiro, é o conceito mais próximo do conceito Judaico-Cristão de Deus em que podemos concluir justificadamente que verdadeiramente, Deus existe.





